O que é crônica, tipos e cronistas famosos

Perguntas e respostas sobre o que é crônica e quais são os tipos e suas principais características? O que elas procuram descrever e quem são os cronistas brasileiros mais conhecidos.

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Crônica vem de uma palavra grega – chronos- que significa tempo. A crônica surgiu para contar fatos históricos em ordem cronológica, porém Fernão Lopes no século XVI deu uma nova configuração ficando mais subjetiva e explicativa e após o século XIX passou a refletir a vida social, a política, os costumes e o cotidiano, por isso ela entrou para o jornalismo e mais tarde para a literatura. A Crônica faz parte do texto narrativo baseada em fatos do cotidiano, e é um dos textos mais usados no jornalismo hoje em dia para mostrar outro ponto de vista sobre um assunto do dia a dia de forma crítica e poética para que se torne uma leitura agradável aos leitores que gostam deste gênero textual.

Crônica

A Crônica é basicamente um gênero textual da Língua Portuguesa que se baseia em uma narrativa curta, normalmente veiculada através de meios de comunicação como jornais, revistas, etc.

Uma peculiaridade das crônicas é que elas possuem “tempo de validade”, pois os acontecimentos retratados nelas, são intrínsecos ao cotidiano da época na qual são escritas, por isto a medida que o tempo passa, podem ficar totalmente fora de contexto.

Principalmente a partir da publicação dos “Folhetins” no século XIX, a crônica se difundiu no solo brasileiro.

Dentre os escritores brasileiros que se destacaram como cronistas, podem ser citados:

  • Machado de Assis
  • Lima Barreto
  • João do Rio
  • Cecília Meireles
  • Rubem Braga
  • Nelson Rodrigues
  • Paulo Mendes de Campos
  • Clarice Lispector
  • Carlos Drummond de Andrade
  • Vinícius de Morais

Antônio Candido, professor e crítico literário, no artigo “A vida ao ré-do-chão” publicado em 1980, afirma que

“A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mesmo que a crônica é um gênero menor. “Graças a Deus”, seria o caso de dizer, porque sendo assim ela fica mais perto de nós. E para muitos pode servir de caminho não apenas para a vida, que ela serve de perto, mas para a literatura (…).

(…) Ora, a crônica está sempre ajudando a estabelecer ou restabelecer a dimensão das coisas e das pessoas. Em lugar de oferecer um cenário excelso, numa revoada de adjetivos e períodos candentes, pega o miúdo e mostra nele uma grandeza, uma beleza ou uma singularidade insuspeitadas. Ela é amiga da verdade e da poesia nas suas formas mais diretas e também nas suas formas mais fantásticas, sobretudo porque quase sempre utiliza o humor. Isto acontece porque não tem pretensões a durar, uma vez que é filha do jornal e da era da máquina, onde tudo acaba tão depressa. Ela não foi feita originalmente para o livro, mas para essa publicação efêmera que se compra num dia e no dia seguinte é usada para embrulhar um par de sapatos ou forrar o chão da cozinha.”

No trecho retirado do artigo do professor é possível destacar elementos primordiais a respeito da crônica, como exemplo, a interação com o público, por conter uma linguagem direta e despojada.

Outro ponto a salientar é a marcação de tempo, pois o tipo textual é conhecido por ser um texto curto.

Quando foi desenvolvida, a crônica possuía caráter histórico, que relatava a partir do século XV, fatos históricos, sejam eles reais ou fictícios, ou até mesmo acontecimentos cotidianos, acompanhados de um toque de humor.

Os leitores das crônicas foram conquistados devido a sua linguagem simples, o que a fez ser difundida mundo afora, principalmente através dos meios de comunicação.

Características

  • Narrativa dada em um curto espaço de tempo
  • Linguagem próxima do leitor
  • Presença de poucos personagens, quando há
  • Espaço delimitado
  • Relatos do cotidiano

Tipos

Apesar de ser um texto pertencente ao gênero narrativo, contendo enredo, foco narrativo, personagens, tempo e espaço delimitados, existem diferentes tipos de crônicas que possuem características de outros gêneros textuais, dentre eles podem ser citadas a crônica descritiva e a crônica dissertativa. E os tipos de crônica mais importantes são:

  • Crônica Jornalística: relativamente próxima da crônica dissertativa, esta é comumente utilizada por meios de comunicação de cunho jornalístico, que a partir de temas atuais, tem como objetivo a reflexão.
  • Crônica Histórica: é muito parecida com a crônica narrativa por conter personagens, tempo e espaço definidos, mas diverge por relatar fatos ou acontecimentos passados, com cunho histórico.
  • Crônica Humorística: usa como apelação principal o humor para entreter o público. Faz uso tanto da ironia quanto do humor para criticar aspectos sociais como política, causas sociais, cultura, etc.
    De forma geral, esses textos têm o intuito de fazer com que o leitor perceba os fatos comuns, como ir até um supermercado, por exemplo, sob uma ótica diferente. Esse tipo de crônica é recheada de detalhes e pormenores que enriquecem a história de forma bem humorada e tiram o leitor do lugar confortável de não perceber as coisas óbvias demais.
  • Argumentativa: A crônica argumentativa é um gênero textual que se utiliza das características de uma crônica e também de argumentos do autor para fundamentar seu ponto de vista. Sempre com uma linguagem subjetiva e com uma conclusão que retoma as idéias do texto para confirmar o que o autor defendeu.
  • Descritiva/ narrativas: A crônica descritiva/ narrativa é uma crônica comprometida com fatos banais do cotidiano e tem como finalidade explorar a caracterização de seres inanimados e animados, às vezes só constituída de diálogos, portanto ela pode estar em 1º ou 3ª pessoa.
    Dissertativa: A crônica dissertativa mostra mais o sentimentalismo do que a racionalidade, na qual o cronista mostra sua opinião de forma explicita. A crônica dissertativa é um estilo de narrativa na qual o escritor evidencia suas opiniões de forma explícita. Para isso, ele pode utilizar-se de argumentos mais emocionais do que realistas. Pode ser escrita na 1ª pessoa do singular ou na 1ª pessoa do plural.
    Poética ou lírica: A Crônica poética ou lírica caracteriza-se pela linguagem poética e metafórica diante dos acontecimentos sentimentais, nostálgicos da beleza da vida na cidade e que sejam significativos para o cronista.
    A crônica lírica, que também pode ser chamada de crônica poética, caracteriza-se pela utilização de elementos subjetivos (como a emoção e a nostalgia, por exemplo) expressados de forma poética pelo escritor cronista. Isto é, textos que utilizam-se da linguagem metafórica e poética para descrever as situações vivenciadas por quem escreveu a crônica. É a forma que o cronista tem de expressar seus sentimentos e emoções diante de um fato, que pode envolver uma pessoa ou uma situação ou os dois.

É importante prestar atenção, pois uma crônica pode conter mais de um tipo, como exemplo, pode ser ao mesmo tempo histórica e humorística.

Quem são os cronistas brasileiros mais famosos?

No Brasil os escritores cronistas que mais destacaram com suas obras são: Fernando Sabino, Luis Fernando Verissimo, Millôr Fernandes, Arnaldo Jabor, Martha Medeiros, Rubem Braga, Machado do Assis, Lima Barreto, Cronista João do Rio, Cecília Meireles, Nelson Rodrigues, Paulo Mendes Campos, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes

O que os cronistas procuram descrever?

Os cronistas descrevem os eventos relatados na crônica de acordo com a sua própria visão crítica dos fatos, mas de uma forma mais lírica e poética dos acontecimentos da sociedade como política, violência, futebol, temas em destaques nos noticiários, acontecimentos banais. Temas que o cronista e o leitor entendam que naquele momento aja um diálogo entre eles.

Quais são as crônicas mais famosas?

Segundo estudos podemos destacar algumas crônicas mais famosas, mas isso não implica que sejam somente elas, pois é um tema sempre estudado e conforme os estudos vão sendo feitos outras crônicas e de outras épocas poderão se agregar a lista, aqui citaremos algumas: O Cego de Ipanema, Visão do Esplendor, o Ato e o fato, A arte de Falar Mal, O Anjo Bêbado, O Conde e o Passarinho, O morro do Isolamento, A Mulher Madura, A pátria sem chuteiras, O navio Adormecido no Bosque, o Homem Nú, A cidade Vazia, O Verão e as Mulheres, Crônicas de Lélio; Comentários da Semana, Dias Lindos, o Suor e a Lágrima, etc. temos que deixar bem claro que são somente exemplos de crônicas, pois há uma variedade e uma quantidade muito grande de crônicas no mundo jornalístico e literário, então cada um deve buscar mais informações e procurar pelas que mais se identifica.



 

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